Antropofagia Cultural


O projeto LABIRINTOS também possui uma doutrina de Antropofagia Cultural, por intermédio da pesquisa científica do Professor Ms. Giovani Pasini, no Doutorado em Educação (UFSM), sob orientação do Prof. Dr. Valdo Barcelos, além de contribuições do Grupo KITANDA.


O fato comprovado é que Oswald de Andrade contribuiu significativamente para a mudança do eixo de direção da cultura brasileira, criando uma das mais importantes filosofias do modernismo brasileiro, que originaria um movimento, que hoje pretendemos potencializar para a educação caraíba: A Antropofagia Cultural Brasileira.

A Antropofagia Cultural Brasileira foi um movimento que teve origem na década de 20, século XX. O movimento antropofágico teve como principal objetivo romper com padrões artísticos, culturais e políticos, enfim, estéticos, instituídos na época. Estes modelos originários da Europa – região na época considerada “berço da civilização” – eram importados pelas elites brasileiras de então, sem nenhuma ou muito pouca contextualização.
Os antropófagos culturais, que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, caracterizaram-se por produzirem, por meio de suas produções artísticas, uma aguda e pertinente crítica ao que vinha sendo feito até então pelos intelectuais brasileiros nos mais diferentes setores da chamada produção cultural nacional. (BARCELOS, 2013, p.72)

O escritor Oswald de Andrade utilizou o termo do manifesto para originar um movimento, de nacionalismo crítico, que fazia a previsão simbólica de “deglutir, devorar, mastigar as influências estrangeiras, principalmente as europeias”; com o objetivo de “recriar” a cultura brasileira.
A Antropofagia Cultural Brasileira defende a criação de novos hábitos, pela comunhão devorativa, que propõe recriar o que está pronto, muitas vezes de forma impensada, formando um terceiro elemento. É importante ressaltar que esse exercício não é unilateral, mas ocorre de forma simultânea. Mais especificamente: aprendemos com o outro e o outro aprende conosco. (BARCELOS, 2013)
O pensamento antropofágico ressalta a importância das descobertas, por intermédio do diálogo. Numa conversa com o outro – na literatura e na construção da identidade cultural – ambos devem ter a consciência que se devoram, metaforicamente falando. Aqui, nesse projeto, realizamos uma transformação pelo conhecimento; uma “mastigação” coletiva.

A postura do diálogo e de escuta que adotei neste texto está de acordo com a perspectiva antropofágica proposta pelo escritor Silviano Santiago, quando este defende a urgência em rompermos com o pensamento adesista e imitador de certa parcela da elite intelectual brasileira. Uma intelectualidade que se acostumou a viver em grande parte de sua vida de costas voltadas para a cultura do povo do qual faz parte. (...) Nem mesmo a historiografia acadêmica e oficial brasileira foi capaz de romper com esta visão eurocêntrica, e perceber a valiosa contribuição que as culturas africanas e indígenas têm a oferecer ao se colocarem em diálogo a cultura da modernidade ocidental. (BARCELOS, 2013, p.25, grifo nosso)

(Extrato da TESE de Giovani Pasini - Antropofagia Intercultural)

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